Exames pediátricos: o que é realmente necessário
- Bruno Augusto

- 20 de jan. de 2025
- 2 min de leitura

Exames desnecessários em crianças
Nos consultórios de pediatria, é cada vez mais comum encontrar pais que chegam ansiosos e dizem: “Doutor, ela tossiu, precisamos de um raio-x” ou “Ele teve dor de cabeça, vamos fazer uma tomografia”. Essa situação reflete algo maior: o quanto a tecnologia, apesar de ser uma grande aliada, também pode nos afastar da essência do cuidado médico.
Ao assistir ao filme Substância no último fim de semana, essa questão ficou ainda mais evidente para mim. Afinal, até onde a dependência da tecnologia está nos desconectando das relações humanas e da verdadeira prática da medicina?
O valor da observação clínica na pediatria
Antes de existirem tantos exames à disposição, o diagnóstico dependia de uma boa conversa, um exame físico cuidadoso e uma escuta atenta. E sabe o que é interessante? Muitas vezes, isso ainda é suficiente para identificar o que está acontecendo com uma criança.
Ouvir os pais contarem a história do que aconteceu, palpar, auscultar, observar detalhes… Essas práticas podem parecer simples, mas trazem respostas que nem sempre uma radiografia ou um hemograma conseguem explicar. No entanto, para muitos, esses passos parecem ter se tornado “obsoletos”.
Quando a tecnologia é usada em excesso
Não me entenda mal: a tecnologia tem um papel fundamental na medicina e, muitas vezes, salva vidas. Mas será que estamos sabendo usá-la com equilíbrio?
Pedir exames indiscriminadamente pode trazer riscos:
• Exposição desnecessária: como no caso de radiações de exames de imagem.
• Ansiedade para os pais: esperar resultados pode gerar ainda mais preocupação.
• Confiança perdida: quando os resultados não mostram nada, os pais podem sair com mais dúvidas do que chegaram.
E, talvez o mais importante, esse excesso de exames pode fazer com que percamos a conexão humana — aquela que traz conforto e segurança tanto para os pais quanto para os filhos.
O impacto nas crianças e nas famílias
Em São José e Antônio Carlos, na Grande Florianópolis, onde trabalho, vejo muitas famílias que chegam ao consultório com medo de que algo importante seja ignorado. É compreensível, afinal, ninguém quer correr riscos.
Mas, como pediatra, meu papel é ajudar essas mães e pais a entender que o equilíbrio entre tecnologia e cuidado humano é essencial.
Diagnosticar uma criança vai além de pedir exames. É sobre enxergar a individualidade de cada família, escutar com atenção e usar o que há de mais básico e poderoso na medicina: o toque, o olhar, a empatia.
Por que menos pode ser mais
Cuidar da saúde das crianças não significa sempre pedir “todos os exames possíveis”. É sobre saber quando eles realmente são necessários. E isso exige experiência, atenção e respeito ao contexto de cada família.
Se você busca um acompanhamento pediátrico que valorize essas práticas e equilibre tecnologia com humanidade, saiba que em São José e Antônio Carlos, meu compromisso é esse: estar presente, ouvir, observar e cuidar sem excessos, mas com toda a dedicação.
Esse texto foi feito para refletir não só sobre a medicina, mas também sobre o cuidado que damos às nossas relações humanas. Afinal, a pediatria, assim como qualquer especialidade médica, é muito mais do que diagnósticos e exames: é uma prática baseada em confiança, atenção e cuidado integral.

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